Moção Política de Orientação Nacional

“Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”

- Fernando Pessoa

INTRODUÇÃO

Abriu-se um ciclo político no País e também no PS.

Um Partido como o nosso tem responsabilidades históricas na vida nacional.

Em momentos decisivos, como na opção pelo regime democrático contra tentações de inspiração totalitária, pouco depois do 25 de Abril, ou quando o País optou pela plena integração na Europa comunitária, na década de oitenta, o PS desempenhou um papel decisivo porque soube interpretar correctamente a história, os interesses e os anseios dos portugueses.

Num momento tão difícil para Portugal, e numa fase tão crítica para a própria Europa, como acontece actualmente, o PS tem que estar à altura da história e dar o seu contributo sólido, convicto e responsável.

Mas, para isso tem que mudar, e muito. Não nos seus valores fundacionais, mas mudar no seu funcionamento e organização para ser capaz de produzir um pensamento e uma acção à altura da complexidade do mundo actual.

Uma das mudanças mais profundas que ocorreram nas últimas décadas está no acesso mais generalizado dos cidadãos à informação e ao conhecimento, o que os torna mais exigentes e ambiciosos na busca da felicidade e bem-estar material, por um lado, e mais escrutinadores da acção política por outro. Por isso, a política do futuro exige a participação cada vez maior das pessoas, e, consequentemente, a sua mobilização, o que não se consegue com práticas políticas obsoletas ou até desprestigiantes, ou formas primitivas de estar na política.

Se a queda do Muro de Berlim marca simbolicamente o fim de uma experiência política, social e económica, falhada, com base na antiga União Soviética, e simboliza o triunfo pleno da economia de mercado, a crise mundial actual representa o primeiro grande falhanço da globalização económica de inspiração liberal, que se desenvolveu de forma caótica, imoral, desequilibrada e insustentável do ponto de vista social, económico e ambiental.

Mas, este falhanço não deixou de, em certos momentos, ter a colaboração ou omissão das forças progressistas, de alguma forma deslumbradas com a economia de mercado e que haviam encarado a queda do Muro de Berlim como o “fim da história e das ideologias”. Isto significa apenas que o mundo evoluiu de forma a exigir uma acção política mais complexa e exigente do que se supunha no seio de alguma esquerda.

Por esta razão, o PS tem que estar à altura de dar o seu contributo conjuntamente com as forças progressistas da Europa e do Mundo, para a regulação da globalização, para a manutenção da paz e para a preservação do planeta que deixaremos às futuras gerações.

Como se compreende, este PS renovado não se alcança apenas com a eleição de uma nova liderança, de novos órgãos políticos, e a substituição de alguns protagonistas.

Esse PS só pode surgir do contributo de todos os militantes e simpatizantes, de um processo de abertura à sociedade e do contributo dos sectores mais dinâmicos da economia, da cultura e da sociedade portuguesas.

Esta Moção não é um produto final, elaborada por um pequeno grupo, e pronta a servir aos militantes. Aqui se faz sentir já um Novo Ciclo. Esta é uma moção redigida com base nos contributos de centenas de militantes, e indica o caminho que desejamos percorrer todos juntos. Só juntos poderemos ir longe.

Esta Moção é um testemunho da confiança que temos na capacidade dos militantes, dos portugueses.

Ninguém tem dúvidas, e desse facto se devem retirar as ilações adequadas, de que os portugueses constituem um dos povos do mundo com maior capacidade de adaptação e mudança perante os novos desafios. Não é por acaso que cerca de cinco milhões de compatriotas nossos vivem espalhados pelo mundo, integrados em novas realidade lutando por uma vida melhor.

O PS construirá e apresentará propostas que contribuam para enfrentar os problemas nacionais e que transformem a presente crise num desafio ultrapassável, que mobilizem os portugueses não os deixando cair no desespero e na descrença. Desta forma o PS voltará a credibilizar-se junto dos portugueses e será uma alternativa de governo.

É esse caminho que agora iniciamos, com convicção e confiança, e para o qual o PS conta consigo.

A Moção que se segue é o primeiro passo para a construção de um PS mais moderno, mais capaz e mais credível.

 

01 – O Novo Ciclo para cumprir Portugal →